Esta semana foi difícil pegar no tranco aqui no blog, mas agora vamos lá de novo, unindo Ricardo III, de Shakespeare, Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto e Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
Ricardo III, da Inglaterra foi um do reis mais dúbios e controversos, muito por causa de biografia encomendada por Henrique VII a John Morton. Basicamente se dedicava a denegrir a imagem do último dos York. Morton acusou Ricardo III de inúmeras malvadezes e lançou a acusação do assassinato dos sobrinhos. Recentemente, historiadores começaram a pôr em causa a correção fatual desta biografia escrita claramente com objetivos políticos.
A peça de Shakespeare, minha favorita, Ricardo III é o personagem principal, um homem sedento de poder , disposto a qualquer coisa para atingir os seus objetivos, mas não de um forma aberta e franca. Ricardo é um mestre do disfarce e só revela as suas verdadeiras intenções e pensamentos nos solilóquios.No primeiro solilóquio, Ricardo dá a conhecer ao espectador que a casa de York trouxe estabilidade a Inglaterra.
Estabelece uma comparação entre a situação presente e aquilo que era o passado e faz uma avaliação.
Será que vi alguma coisa parecida na nossa política atual? Será que nossa oligarquia atual copiou Ricardo III? Seria ali uma clara noção do plágio que nossos políticos utilizam do discurso do último dos York?
Agora lembre-se das obras tupiniquins:
Morte e Vida Severina : O retirante Severino deixa o sertão pernambucano em busca do litoral, na esperança de uma vida melhor. Entre as passagens, ele se apresenta ao leitor e diz a que vai, encontra dois homens (irmãos das almas) que carregam um defunto numa rede. Severino conversa com ambos e acontece uma denúncia contra os poderosos, mandantes de crimes e sua impunidade.
Poderosos, mandantes de crimes e impunes? Outro plágio? será que nossos poderosos estão em crise com a criatividade apenas repetindo atitudes e pensamentos já retratadas em obras imortais?
Vidas Secas : Em uma longa trajetória pelo sertão castigado pela seca, Fabiano, Sinhá Vitória, a cachorra Baleia, e os dois filhos do casal, o mais novo e o mais velho, passam por diversas privações. Em um dado momento, o menino mais velho deita-se, cansado, e nega-se a continuar a caminhada: "pelo espírito atribulado de Fabiano passa a idéia de abandonar o filho", mas ele decide carregá-lo.
Mudou alguma coisa na vida do nordestino castigado pela seca?
Enquanto o imaginário político de nossos políticos oligárquicos for o de um Ricardo III, nada muda, porque utiliza-se de instrumentos cada vez mais sórdidos e cruéis para vencer, convencer e derrotar o inimigo, seja ele qual for. A discussão não passa por nomes e sim por comportamento, parece que nestes 500 anos de terra brasilis, somente um pensamento fez eco na elite política : o projeto político é mais importante que o bem estar da população e o seu consequente desenvolvimento.