Esta semana, nos meus últimos artigos aqui, falei sobre a violência contra a mulher, através da notícia publicada no site da CNN, da condenação à morte, por lapidação, de uma mulher no Irã.
(Atualização importante da notícia:) Irã suspende apedrejamento de mulher condenada por adultério
Autoridades do governo iraniano cedem à pressão internacional e cancelam execução de Shakine Mohammadí Ahstiani
Pressionado por instituições de defesa dos direitos humanos, o governo iraniano anunciou, por meio de sua embaixada em Londres, que cancelará o apedrejamento público de Shakine Mohammadí Ahstiani, condenada por adultério. Ainda assim, pesa sobre a mulher uma sentença de execução.
Desde a Revolução Islâmica, em 1979, as leis iranianas advoga que adúlteros devem ser executados por apedrejamento - enterra-se o corpo do condenado até a altura do pescoço, deixando a cabeça à mostra e à mercê das pedras atiradas pelos populares.
Ahstiani havia sido condenada por supostamente manter relações extraconjungais com o assassino do seu marido. Mas o julgamento foi bastante criticado por órgãos internacionais pela insuficiência de provas e pela dificuldade da ré, que é não fluente em persa, em se comunicar com os juízes.
Enquanto aqui no Brasil, um crime bárbaro, com requintes de crueldade, nos levam a acreditar que foi obra de um sociopata (atualizando o termo antigo psicopata). Principalmente, leva-me a recordar a história de Jack, o Estripador, tamanha a violência relatada em um depoimento divulgado na imprensa.
Segundo o conceito de transtorno de personalidade sociopata temos que, é um transtorno de personalidade descrito no
DSM-IV-TR, caracterizado pelo comportamento impulsivo do indivíduo afetado, desprezo por normas sociais, e indiferença aos direitos e sentimentos dos outros.
Não raramente os sociopatas têm um comportamento agressivo e indiferente que varia de caloroso para frio ou cruel dependendo de como quiser manipular, inteligência acima da média e possuem uma variedade grande de talentos como escrever e juntar rimas. A maioria dos sociopatas (72%) é do sexo masculino, ao contrário do transtorno de personalidade limítrofe, cujo a maioria dos doentes é do sexo feminino.
A maioria dessas pessoas tem uma família desestruturada e tiveram uma infância difícil, e quando atingem o fim da adolescência ou início da fase adulta, utilizam comportamento violento como meio de se "vingar" do passado, inconscientemente. Na psicanálise tal comportamento é característico das estruturas ligadas as modalidade de perversão, que diferem das neuroses e das psicoses.
A psicopatia, bastante próxima do transtorno de personalidade anti-social, em geral, é mais severa que este. Na
Classificação Internacional de Doenças, este transtorno é chamado de
Transtorno de Personalidade Dissocial (Código: F60.2). Indivíduos com este diagnóstico são usualmente chamados de sociopatas. É uma psicopatia generalizada: aversão de tudo e a todos.
Critérios Diagnósticos pelo DSM-IV-TR (Código: 301.7)
A. Um padrão pervasivo de desrespeito e violação aos direitos dos outros, que ocorre desde a adolescência, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:
- Fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos legais, indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção;
- Impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro;
- Irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões físicas;
- Desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia;
- Irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras;
- Ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado outra pessoa;
- Tendência para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer;
B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.
C. Existem evidências de Transtorno de Conduta com início antes dos 15 anos de idade.
D. A ocorrência do comportamento antissocial não se dá exclusivamente durante o curso de Esquizofrenia ou Episódio Maníaco.
Importante notar que o termo antissocial, na psiquiatria, não significa (como rotineiramente costuma ser entendido) um tipo de inibição social, timidez ou o facto de ser introvertido/reservado, mas sim, atitudes contrárias às regras da sociedade. Nesse caso de timidez ou ser introvertido ou reservado na psiquiatria contemporânea o termo usado é conduta defensiva.
As características dos sociopatas englobam, principalmente, o desprezo pelas obrigações sociais e a falta de consideração com os sentimentos dos outros. Eles possuem um egocentrismo exageradamente patológico, emoções superficiais, teatrais e falsas, pobre ou nenhum controle da impulsividade, baixa tolerância para frustração, baixo limiar para descarga de agressão, irresponsabilidade, falta de empatia com outros seres humanos, ausência de sentimentos de remorso e de culpa em relação ao seu comportamento.
Essas pessoas geralmente são cínicas, manipuladoras, e incapazes de manter uma relação leal e duradoura. Eles mentem exageradamente sem constrangimento ou vergonha, subestimam a insensatez das mentiras, roubam, abusam, trapaceiam, manipulam dolosamente seus familiares e parentes, colocam em risco a vida de outras pessoas e, decididamente, nunca são capazes de se corrigirem. Esse conjunto de caracteres faz com que os sociopatas sejam incapazes de aprender com a punição ou incapazes de modificar suas atitudes.
Quando os sociopatas descobrem que seu teatro já está descoberto, eles são capazes de darem a falsa impressão de arrependimento, falseiam que mudarão "daqui para a frente", mas nunca serão capazes de suprimir sua índole maldosa. Não obstante eles são artistas na capacidade de disfarçar de forma inteligente suas características de personalidade. Na vida social, o sociopata costuma ter um charme convincente e simpático para as outras pessoas e, não raramente, ele tem uma inteligência normal ou acima da média.
Mas claro que este caso não é único, o mandante (e/ou executores) tem repercussão na plutocracia nacional, pois o personagem principal tem visibilidade por estar em clube popular e com apelo na mídia, então não dá para jogar a "sujeira" debaixo do tapete. Diariamente 10 ou 11 mulheres são mortas com as mesmas caracteristicas deste caso, conforme foi falado no Bom Brasil de hoje (09/07).
Então, para não entregar os dedos, vão-se os anéis e a Polícia investiga o caso mais em evidência, que também tem maior conjunto de indicios e provas.